No passado dia 18 de junho de 2020, decorreu na Universidade de Évora, as primeiras provas públicas do Doutoramento em Motricidade Humana. O biomecânico da Federação Portuguesa de Atletismo Paulo Oliveira, apresentou e defendeu a sua tese com o título "Contribuição da Biomecânica para a melhoria do rendimento desportivo, em atletismo - Desenvolvimento e validação de uma Unidade de Medição Inercial Dedicada.", cuja orientação foi realizada pelo Professor Doutor Orlando Fernandes e o Professor Doutor Marco Branco e teve, ainda, a colaboração do Engenheiro Pedro Serra.

 

Este estudo permitiu desenvolver e validar um instrumento dedicado ao treino e competição dos atletas, tendo em vista a apresentação de resultados rápidos e em tempo real, otimizando a comunicação entre biomecânico, treinador e atleta.

 

Foi atribuída a nota máxima às provas que foram presididas pelo Diretor do Curso, Professor Doutor Armando Raimundo e contou com a presença no júri de quatro dos mais cotados docentes e investigadores na área da Biomecânica em Ciências do Desporto, os Professores Doutores João Paulo Vilas-Boas Soares Campos, Rita Alexandra Prior Falhas Santos Rocha, Filipe Almeida Viana da Conceição e Orlando de Jesus Semedo Fernandes (orientador). Completou ainda o júri o Professor Doutor Hugo Miguel Alexandre Cardinho Folgado, como um dos membros do Departamento de Desporto e Saúde da Universidade Évora que acompanhou o trabalho de investigação. 

 

Deixamos agora o “Abstract da Tese” do Professor Doutor Paulo Oliveira

 

“Os relatórios técnicos de análise biomecânica, no Atletismo têm procurado resolver questões complexas relacionadas com o rendimento técnico dos atletas. Na procura de estudos científicos com atletas de elite e de acordo com os critérios definidos, verificaram-se poucos estudos desenvolvidos. Os métodos limitaram-se à análise cinemática e ao uso de vários instrumentos, em que a análise do parâmetro velocidade foi foco de estudo. Desta forma, este trabalho teve como objetivo desenvolver, validar e implementar um instrumento, que permita avaliar atletas de elite, no Atletismo. Foi desenvolvida uma unidade de medição inercial, que através de algoritmos obteve diretamente a aceleração e determinou os restantes parâmetros cinemáticos e cinéticos. Na validação de critério, entre instrumento desenvolvido e os golden standards propostos, no salto de contramovimento, o tempo de voo, a altura de salto, a amplitude de força vertical e a amplitude de aceleração vertical foram parâmetros válidos. Também, permitiu obter um sinal similar à plataforma de força identificando as diferentes fases do salto. Na corrida de velocidade de 40m, os parciais temporais e o tempo de passo demonstraram validade de critério. Na aplicação da unidade de medição inercial foram desenvolvidos vários modelos teóricos de regressão linear múltipla. No salto de contramovimento, a altura de salto, a força, a velocidade vertical e a força na fase excêntrica foram variáveis preditivas para a raiz quadrada média da aceleração vertical. Na corrida de velocidade de 40m, a altura de salto teve uma elevada explicação no parcial 0-10m e a aceleração obtida no eixo médio-lateral, vertical e ântero-posterior explicaram os restantes parciais temporais, 10-20m, 20-30m e 30-40m. O estudo indica as unidades de medição inercial como um instrumento a usar na avaliação e monitorização sistemática dos atletas de elite, do atletismo, pelo baixo custo, fácil aplicação, portabilidade, dados contínuos, em tempo-real e com resultados válidos.”