2310 respostas portuguesas, 468 respostas espanholas

 

O Grupo de Investigação Sistemas de Modelação e Planeamento (MaPS) do CICS.NOVA/NOVA FCSH e o Grupo de Investigación Social y Educativa de la Actividad Física y del Deporte (GISEAFE) do INEFC/UdL lançaram um estudo de âmbito ibérico sobre os impactos ao nível da prática dos principais desportos de ar livre (como o Trail, Running, o BTT, etc.) que resultam das medidas extraordinárias de confinamento impostas aos cidadãos perante a situação que se vive devido à Pandemia da COVID-19. 

 

O questionário foi realizado em simultâneo e mais de 95% das respostas obtidas entre os dias 30 de Abril e 8 de Maio, com maior incidência no dia 30 de Abril (65% de todas as respostas recebidas).

 

A coordenação esteve a cargo de Rui Pedro Julião (rpj@fcsh.unl.pt) e de Estela Farías (efarias@inefc.es), integrando ainda a equipa de investigação Ricardo Nogueira Mendes, Jordi Seguí, Sebastiàn Mas e Víctor Dorado.

 

A amostra portuguesa é retirada de 2310 participantes, enquanto a espanhola registou apenas 468 respostas. A página com os dados refere os dois países, mas nós só referimos os dados portugueses, cujo perfil médio das respostas (71% de masculinos) é de indivíduos de 42 anos, com 71 kg de peso e 1,72 m de altura média. 57% dos inquiridos é empregado por conta de outrem, sendo 20% de funcionários públicos.

 

No perfil desportivo, 879 responderam que se dedicam mais à corrida (761 ao trail), a maioria treina 2 a 3 vezes por semana (mas o grupo de 4 a seis treinos também é significativo) e 2045 (de 2310 repostas) usam GPS ou outras aplicações. Correram (em média) 2445 km no ano passado (345 horas) e apenas 43,3% admite recorrer a exames médicos (a percentagem dos espanhóis é de 65,6%.

 

Atividade durante o confinamento

 

O estado de pandemia afetou 66 por cento dos inquiridos, com 61% a afirmar que treina com menor frequência, com 920 a responderem que fazem menos treinos semanais, com 30% a referir que treina em casa e fora, com 26% a admitir que passou a treinar em casa, com 6,2% a admitirem ter adquirido aparelhos para treino em casa.

 

2085 (em 2310) admitiram estar afetados pelas alterações de calendário, admitindo que participariam em média em 10,9 provas em 2020, tendo feito 2,8 provas em janeiro e fevereiro e viram 2,2 provas serem canceladas (atenção à data de realização do estudo). 33% admite que esta situação teve impacto económico nas suas despesas e 37% admitem ter gasto dinheiro em inscrições não reembolsáveis.

 

Atividade pós confinamento

 

Em relação ao futuro, pós confinamento, 94% manifesta a intenção de manter a atividade (24% admite que fará alterações); 58% informa estar afetado na sua capacidade física (22% considera-se muito afetado) e 56% admite que a sua capacidade técnica foi afetada. Sobe a exposição ao perigo, 242 respostas admitem preocupar-se pouco, 1.200 tem alguma preocupação, 886 referem grande preocupação; sobre a organização das provas, 1100 refere que vai mudar qualquer coisa, um milhar dos inquiridos acredita que vai mudar muito.

Finalmente, em relação ao retorno à normalidade dos treinos, a média acha que demorará quatro meses, enquanto o regresso à competição só será possível daqui por oito meses.

Mais pormenores (e comparação com Espanha) podem ser vistos na página resumo do estudo.
 

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