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À medida que a pandemia COVID-19 exige cuidados de higiene e segurança redobrados, proliferam artigos sobre a importância de ingerir alimentos e suplementos que fortaleçam a imunidade, tornando o nosso organismo menos suscetível a contrair a doença. Mas até que ponto estas afirmações têm suporte científico? Haverá mesmo alimentos/suplementos capazes de nos tornar menos suscetíveis ao COVID-19?

 

A resposta a estas questões, de acordo com Mónica Sousa, nutricionista da Federação Portuguesa de Atletismo, é claramente: Não! “À luz da evidência científica, não existe nenhum alimento ou suplemento cuja ingestão/toma previna a infeção por Coronavírus 19 (COVID-19). Para a sua prevenção o método mais eficaz consiste na higienização frequente das mãos com água e sabão ou recorrendo a uma solução à base de álcool”, justifica a nutricionista.

 

No entanto, admite Mónica Sousa, “um sistema imunitário otimizado será mais competente para lidar com eventuais ameaças, nomeadamente com a infeção por COVID-19”. É, por isso, importante que haja uma preocupação de “manutenção de um bom estado nutricional e de hidratação para o funcionamento otimizado do sistema imunitário”, acrescenta.

 

De acordo com esta nutricionista, este objetivo pode ser alcançado integrando seis atitudes-chave na nossa rotina nutricional:

 

  1. Praticar uma alimentação completa, equilibrada e variada.

 

A roda dos alimentos sempre foi boa conselheira. Assim, com a água – enquanto fonte primordial de hidratação – no centro da nossa roda, devemos incluir: 1-3 porções de gordura; 2-3 porções de laticínios, 1,5-4,5 porções de proteína; 1-2 porções de leguminosas; 4-11 porções de hidratos de carbono; 3-5 porções de legumes e vegetais; 3-5 porções de fruta.

 

  1. Incluir na dieta alimentos fornecedores de antioxidantes, ferro, magnésio, zinco, ácidos gordos essenciais, Vitamina D, Vitamina A.

Em atletas, tem-se vindo a aprofundar o estudo da imunonutrição e o papel que determinados nutrientes (glicose, aminoácidos, ácidos gordos essenciais, ferro, zinco, magnésio, vitaminas A e D) e/ou alimentos podem ter no sistema imunitário do atleta.

 

  1. Manter um bom estado de hidratação e um número de horas de sono adequado.

 

  1. Comprar apenas o necessário e gerir bens alimentares

O facto ter sido decretado estado de emergência a nível nacional condiciona os hábitos da população, nomeadamente as idas ao supermercado e a gestão e confeção de bens alimentares. Para evitar múltiplas saídas para comprar, mas, simultaneamente, ter uma alimentação saudável existem algumas questões que devem ser tidas em conta: verificar o que existe em casa antes de ir ao supermercado, planear refeições com ingredientes disponíveis e elaborar uma lista de compras, que deve ser cumprida.

 

  1. Manter as rotinas alimentares

As rotinas ajudam a dar estabilidade e a manter o foco, por isso, devem ser seguidas também no plano alimentar. As refeições devem ser realizadas no horário habitual, mantendo as seis recomendadas diariamente: Pequeno-almoço, meio da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia. É importante servir a porção inteira e guardar o restante em seguida, devendo evitar fazer as refeições enquanto realiza outras atividades.

 

  1. Ajustar a ingestão alimentar ao gasto energético

Evite alimentos energeticamente densos, substituindo-os por opções menos calóricas e com maior valor nutricional. Deve aumentar a porção de hortícolas da refeição (metade do prato), incluindo-os tanto na sopa como no prato. Aproximadamente ¼ do prato deverá destinar-se à porção de cereais e derivados ou tubérculos (arroz, massa, batata, batata doce, quinoa, etc.). Aproximadamente ¼ do prato deverá destinar-se à porção de fornecedores proteicos da refeição (carne, pescado, ovo ou leguminosas como grão, feijão e lentilhas).

 

Veja ainda sugestões específicas para atletas aqui.