O atletismo português tem estado a preparar o retorno à competição e finalizou o documento desse passo que foi elaborado tendo em consideração as normas e recomendações das várias entidades nacionais e internacionais e que vai ao encontro das orientações mais recentes da Direção Geral da Saúde (DGS) para a utilização de recintos desportivos e para a realização da prática desportiva. Trata-se de um programa de retoma que, como explica, na introdução do documento, o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), Jorge Vieira, "visa tocar em todos os domínios do atletismo português". Trata-se, pois, nas palavras do presidente da FPA, de “um programa progressivo, dividido por fases e focado em alcançar a normalidade desportiva e social".

 

Apesar de aprangente, é preciso realçar que a realidade que vivemos, ainda no meio de uma pandemia, impõe inúmeros desafios e uma constante atualização de regras, normas e recomendações, por isso, sempre que justificável, as recomendações constantes neste documento serão atualizadas, em conformidade com as orientações emanadas dos órgãos decisores, a que estamos atentos e com os quais mantemos uma linha de diálogo aberta. A segurança, o desenvolvimento e a promoção da modalidade serão sempre os objetivos na base destas e de futuras recomendações da Federação Portuguesa de Atletismo.


Ainda antes de se entrar no Programa, propriamente dito, de Retorno à Competição, Jorge Vieira traça as linhas gerais que nortearam o espírito das recomendações, salientando que os “dois pilares fundamentais e inseparáveis - o treino que prepara os atletas e a atividade competitiva -, foram profundamente afetados pela pandemia COVID-19", defendendo que “o desporto deve assumir um papel fundamental e prioritário", reforçando o papel "instrumental" da prática desportiva "no retorno da população a uma vida normalizada e saudável”. “Não há modalidade mais livre, mais acessível, mais democrática e mais imbricada na nossa natureza humana. O atletismo contém os gestos — caminhar, correr, saltar e lançar — que todos praticaram, naturalmente, pelo menos, durante os anos da infância e da juventude. Estes gestos sob o formato desportivo dão corpo à mais antiga modalidade desportiva olímpica”, sublinha.

 

Jorge Vieira realça ainda o papel das estruturas da modalidade: “Aas nossas associações distritais e regionais, como estruturas intermédias da gestão do atletismo nacional, são chamadas à coordenação superior deste processo de retoma da normalidade. Os clubes são as células base do desporto português e, em particular, do atletismo. Estão, na sua maioria, habituados a viver com dificuldades, sobretudo financeiras. Cremos que, à semelhança de outras épocas difíceis, todos os nossos clubes vão superar, progressivamente, as dificuldades resultantes desta paralisação da atividade social e económica."

 

Perante os desafios impostos por esta pandemia, o presidente da FPA considera que é também imprescindível apontar o foco a outras medidas com vista ao desenvolvimento do desporto nacional. “Este é também um momento de oportunidade para aprofundar o relacionamento do desporto federado com o desporto escolar. Entendemos que o desporto escolar é fulcral para o desenvolvimento do desporto português. Para que tal seja operacionalizado, com eficiência, é indispensável franquear as portas das escolas e dos clubes iniciando uma cooperação sem precedentes. Esta é uma medida que não pode ser mais adiada”. 

 

Neste contexto, e em jeito de resumo do trabalho desenvolvido por todos os intervenientes no processo de elaboração do documento, Jorge Vieira conclui: “Desenhámos o processo e a sua periodização, mas não podemos, porém, desenhar a calendarização definitiva. Sabemos quão importante é o retorno à atividade competitiva. Queremos viabilizar um quadro competitivo adequado às diretivas que nos forem impostas pelas entidades que nos tutelam. Afirmamos que não fechámos, nem fecharemos as portas da modalidade. Este programa é a demonstração dessa vontade."

 

Sobre este Programa de Retorno à Competição importa ainda sublinhar que o documento inicial foi elaborado pela direção da FPA juntamente com a Direção Técnica Nacional; passou posteriormente pela análise crítica e respetivos contributos de todos os Diretores Técnicos Regionais, contando também com o contributo dos treinadores em cada setor, tendo ainda a apreciação, correção e aprovação de todos os presidentes das Associações de Atletismo Distritais e Regionais.