Samuel Barata, do Sport Lisboa e Benfica, e Salomé Rocha, do Sporting Clube de Portugal, sagraram-se hoje campeões nacionais de estrada e lideraram as suas equipas na conquista dos títulos coletivos.
Num dia aprazível para a prática desportiva, foram mais de 1200 corredores (dos 1500 inscritos) que disseram sim aos Campeonatos Nacionais de Estrada 2020, que decorreram em Oeiras, com partida e chegada na Avenida Pierre de Coubertin, frente ao Estádio Nacional.

 

A primeira das provas a realizar-se, a feminina, foi claramente marcada pela prestação das atletas do Sporting, que dominaram desde o primeiro metro e conseguiram fechar a classificação coletiva com os quatro primeiros lugares da classificação geral, sagrando-se campeãs nacionais pelo quarto ano consecutivo. Uma vez mais, o Recreio Desportivo de Águeda alcançou o segundo lugar, enquanto o Sporting de Braga fechou o pódio.

 

Depois de nos primeiros quilómetros a liderança ter sido repartida, a partir dos seis quilómetros Carla Salomé Rocha passou para a frente da corrida e aos oito quilómetros exibia já uma vantagem de 15 segundos para as suas adversárias, que ampliou até ao final, cortando a meta com o tempo de 32.49 minutos, seguida de Jéssica Augusto (33.15 minutos) e Catarina Ribeiro (33.27), que se sagrou campeã no ano passado.
Carla Salomé Rocha, que se estreou a triunfar em estrada, disse tratar-se de um momento "especial". "É o primeiro título nacional de estrada e tem sempre um sabor especial", começou por dizer a atleta do Sporting, que explicou que foi fundamental a companhia das colegas leoninas, Catarina Ribeiro e Jéssica Augusto, e que no final a sorte acabou por lhe sorrir.

 

"Eu e o meu treinador costumamos traçar um objetivo de cada vez, mas estamos em ano de Jogos, tenho mínimos na maratona, e quero marcar presença. No entanto, sabemos que temos grandes atletas nacionais e vamos todas tentar lutar por uma presença em Tóquio", terminou falando um pouco sobre os objetivos futuros.

 

Já a segunda classificada, Jessica Augusto afirmou ter corrido para ganhar, «dei tudo, fui segunda, estou satisfeita. A Salomé atacou na subida dos 5 km, deixou-nos para trás e já não foi possível recuperar a desvantagem».
Quanto à campeã de 2019, Catarina Ribeiro, revelou ter corrido «para renovar o título de campeã, mas não posso deixar passar que há pouco mais de um mês fiz a maratona de Valência, que não me deixou estar aqui na máxima forma. Queira revalidar o título, mas as minhas colegas foram melhores que eu!».

 

Prova masculina decidida no quilómetro final 

 

No que respeita à prova masculina, houve muito equilíbrio na fase inicial da competição, com um grupo compacto que conheceu algumas baixas, sem uma das mais notadas a de André Pereira, do Benfica, uma equipa que ainda assim estava na luta pela conquista de um título perdido para o Sporting nos anos de 2018 e 2019. O Sporting também tinha os seus elementos na frente da corrida, mas a segunda metade da mesma foi mais rápida e foi-se fazendo uma seleção, ainda assim com um grupo numeroso na frente, mas sempre com os benfiquistas a puxar, até ao último retorno, já na Cruz Quebrada.

 

A partir daí, Samuel Barata e Rui Pinto aumentaram o ritmo da corrida e ficaram apenas cinco atletas a poderem disputar as medalhas. Ainda antes da entrada na Avenida Pierre de Coubertin, na subida final, Samuel Barata atacou decidido em reconquistar o título de 2018, e cortou a meta com o tempo de 29.32 minutos. Rui Pinto, o campeão de 2019, vinha em segundo lugar, mas foi superado na subida pela excelente prestação do bracarense Luís Saraiva (29.39 minutos), terminando em 29.44. Outras boas prestações foram conseguidas por Nuno Lopes (agora individual), em quarto lugar, e Bruno Batista, do Rio Maior, em quinto lugar.

 

Em termos coletivos, o Benfica reconquistou o título perdido há dois anos para o Sporting, equipa que agora ficou na terceira posição, superada pela formação do Sporting de braga, vice-campeões nacionais.

 

No final da prova, o campeão nacional, Samuel Barata revelou que o segredo para aparecer bem nesta fase foi a preparação psicológica.

 

"Sabia que estava bem, porque vinha de duas provas muito boas. Fiz a preparação para a maratona de Valência, que apesar de me ter corrido mal deixou os efeitos do treino. Portanto, só tive de me concentrar e trabalhar psicologicamente", disse o atleta do Benfica, depois da vitória no Complexo Desportivo do Jamor, adiantando que os 10 quilómetros que compõem o percurso são "muito difíceis, táticos e com muita gente que quer ganhar".

 

Principais classificações

Masculinos: 1. Samuel Barata (Benfica), 29.32 minutos; 2. Luís Saraiva (Braga), 29.39; 3. Rui Pinto (Benfica), 29.44; 4. Nuno Lopes (Ind), 29.44; 5. Bruno Batista (Rio Maior), 29.46. Por equipas: 1. Benfica 30 pontos; 2. Sporting de Braga, 50; 3. Sporting, 56.
Femininos: 1. Carla Salomé Rocha (Sporting), 32.49 minutos; 2. Jéssica Augusto (Sporting), 33.15; 3. Sara Catarina Ribeiro (Sporting), 33.27; 4. Ana Mafalda Ferreira (Sporting), 34.14; 5. Emília Pisoeiro (RD Águeda), 34.50. Por equipas: 1. Sporting, 10 pontos; 2. Recreio de Águeda, 45; 3. Sporting de Braga, 70.

Vencedores de outros escalões: sub 23 - Manuela Martins (Maratona) e Alexandre Figueiredo (SL Benfica); sub20 - Cátia Pereira e Pedro Saldanha (ambos do Sporting); adaptado – Estevão Janeiro (Beja AC) e Dina Oliveira (ANE); V35 - Jéssica Augusto (SCP) e Hermano Ferreira (ARC-EAC); V40 - Carla Martinho (RDA) e Licínio Pimentel (SCP); V45 - Carla Machado (ARLVG) e Paulo Gomes (GDCG); V50 - Carla Silvano (CASJ) e Joaquim Figueiredo (CDSSC); V55 - Lucília Soares (AWRP) e Manuel Alves (CCSJM); V60 - Carolina Feliz (UFCT) e Pedro Terra (SSTSJM); V65 - Marília Cavaco (CDQ) e Fernando Ferreira (ADTT); V70 - Isabel Lino (LPSC)  e Francisco Farropas (CUI); V75 - Joaquina Flores (GASE) e Filipe Tomas (ACSM-L); V80 - Bernardino Pereira (FIXES).

Resultados completos na página da Federação Portuguesa de Atletismo.